Janela mágica

 

Todas as artes têm a virtude de inspirar as nossa vidas, de enternecer ou colorir os nossos dias. Alimentam a nossa imaginação, enriquecem o nosso conhecimento ou proporcionam momentos de puro entretenimento.

Mas há uma, em particular, que tem o condão de fazer a síntese de todas elas. O cinema, de preferência projetado nos grandes ecrãs!

Com a sua magia, tem a capacidade de nos confrontar com as mais variadas sensações, como viajar de volta à nossa infância.

Clássicos da sétima arte revelam essa linguagem única. Muitos recordamos o filme “Cinema Paraíso" e o seu sucesso de bilheteira à época não aconteceu por acaso. Qualquer um de nós, através do olhar e do espanto do menino protagonista, espreitou o mundo pela janela do grande ecrã.

Como ele, também eu, à boleia do cinema, volto muitas vezes à minha infância e à memória daquelas tardes na Associação de Socorros Mútuos Freamundense, onde aguardávamos com ansiosa alegria os filmes de aventura e de cowboys, protagonizados por Terence Hill e Bud Spencer.

Na Fundação INATEL o cinema sempre foi uma aposta. Ao longo destas nove décadas, são diversos os programas dedicados à sua divulgação. Desde a nossa Viatura de cinema itinerante dos anos 1950, até às atuais sessões do Cinema Fora do Sítio ou do Salão Piolho, entre outras propostas, têm promovido ao ar livre, em praças, parques e jardins de todo o país durante os meses de verão, o visionamento de longas e curtas-metragens.

A sétima arte sempre integrou as atividades da Cultura, constituindo, também, um eficaz meio para a preservação do nosso património cultural imaterial, divulgando tradições, ofícios, rituais e expressões culturais que revelam a nossa identidade e a alma de um povo.

Uma verdadeira "janela de sonho", como nos revela Mário Augusto nesta edição, "que nos permite ir para outro patamar da imaginação e da vida".

É sempre agradável rever os clássicos, ou não perder as estreias das mais recentes produções. O tempo de férias é uma oportunidade para viver todas as emoções da sétima arte, nas salas de cinema ou ao ar livre.

Nesta era em que vivemos o dia a dia presos a pequenos ecrãs, urge voltar ao formato das grandes telas para assim poder viver, o mais plenamente possível, toda a magia do cinema.

Votos de boas férias e bons filmes.

 

José Manuel da Costa Soares
Presidente da Fundação INATEL