Esta noite grita-se

15 MAR - O TIO VÂNIA
24 MAI - UM HOMEM É UM HOMEM

SEX  17:00
Leituras
Sala CARMEN DOLORES

 

O Esta noite grita-se é uma iniciativa de leitura pública de textos de teatro que entra agora na sua 3ª temporada, tornada festim. Um festim que celebra o lugar da palavra no espectáculo teatral, o seu som, a sua musicalidade, o seu sabor, o seu cheiro.
Começámos informalmente, no início de 2017, no Bar Irreal e na Fábrica Braço de Prata, tentado mostrar o nosso entusiasmo com a leitura crua dos textos, evidenciando o potencial do texto dramático sem recurso à encenação. Tentámos ouvir de perto as palavras dos autores, procurando, talvez, uma maneira diferente de dizer e fazer escutar. Estas leituras não obedecem por isso ao cânone de “leituras encenadas”. Queremos partilhar com o público o entusiasmo que um actor sente quando, nos ensaios de mesa, começa a descobrir os cantos e recantos do texto. Quando os diferentes significados começam a emergir e as personagens a ganhar forma dentro da cabeça, surgindo, ainda rudes, na voz dos actores. Sabemos que um texto teatral, apresentado desta forma, é criatura frágil, desconfiada, ambígua por vezes. Mas antes assim, assumimos o risco, preparamos cada texto em conjunto com os actores e levamo-lo à cena exactamente quando temos tantas dúvidas que as precisamos de partilhar com o público.
Este ano decidimos crescer. Contamos agora com a leitura de 6 textos na nossa programação principal, em diversos espaços de Lisboa, algumas visitas a Montemor-o-Novo, uma festa de abertura e o convite à participação da Escola de Mulheres, com a sua Da Voz Humana.

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O TIO VÂNIA

Este texto, de 1894, centra a personagem de Ivan (tio Vânia) no seio de uma família que habita uma decadente propriedade rural russa nos finais do século XIX. A enorme casa de campo é pano de fundo para a asfixia de Ivan, frustração por uma vida passada sem concretizar nenhum dos seus sonhos nem de se afirmar perante a realidade dos factos. Projecta-se na juventude de Helena, paixão impossível e disputada por Astrov, médico e amigo da família, também ele assombrado pelo passado perdido e pelo desânimo perante um futuro incerto. Espelhando a decadência da sociedade russa daquele final de século, Tchékhov surge com uma escrita simples e despojada, que ainda nos nossos dias ressoa e nos faz pensar que talvez os 120 anos que, entretanto, se passaram não tenham mudado muitas daquelas que são as nossas preocupações face ao futuro.

Texto Antón Tchékhov
Tradução António Pescada
Direção Miguel Maia e Filipe Abreu
Interpretação Catarina Wallenstein, Elsa Galvão, Érica Rodrigues, José Wallenstein, Nuno Nunes, Paulo Pinto, Pedro Gil, Sara Carinhas e Miguel Maia
Duração 95m | A classificar pela CCE
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UM HOMEM É UM HOMEM

É uma das mais enérgicas críticas sociais por parte do dramaturgo, conhecido pelo constante questionar dos alicerces do fazer teatral e do recentrar da sua função política. No texto fala-se de desumanização e normalização. A história situa-se numa possível colónia inglesa na Ásia (mas que bem podia situar-se na Europa dos anos 40), em que o povo é maltratado e diminuído pelas forças ocupantes. Galy Gay, estivador que vive com a sua mulher, sai de casa para ir comprar um peixe para o jantar, para nunca mais retornar. Num tom de comédia quase burlesca, Brecht apresenta-nos uma série de questões sobre o que define um homem e a sua individualidade: o que será preciso para que um homem passe a ser outro homem? Em que ponto é que alguém deixa ser esse para se tornar outro? De que forma o contexto em que nos inserimos nos transforma? Galy Gay é um homem que não sabe dizer não.

Texto Bertolt Brecht
Tradução António Conde
Direcção Miguel Maia e Filipe Abreu
Interpretação António Mortágua, Bruno Bernardo, Isac Graça, Nuno Pinheiro, Patrícia Deus, Rita Loureiro, Rui Neto, Telmo Mendes, Teresa Sobral e Vitor d'Andrade 
Duração 105m | A classificar pela CCE

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Já realizado

O PATO SELVAGEM

Escrito em 1884, O Pato Selvagem é uma das mais impressionantes peças escritas pelo dramaturgo norueguês. Um texto de elevado valor alegórico, usa como base a história do pato selvagem que, ao ver-se ferido, mergulha no lago e agarra-se às algas nas profundezas para morrer, evitando sobreviver ferido.
Mostra-nos uma complexa teia de relações entre duas famílias, e a sombra que um passado mal resolvido faz emergir sobre personagens multifacetadas, profundas e magistralmente guiadas através das cenas num crescendo emocional. Ibsen explora com mestria o tema da verdade e da mentira e a forma como ela é usada na esfera íntima. É, aliás, aí que reside o principal elemento trágico: as consequências de vivermos na mentira, ou os problemas do fundamentalismo da verdade absoluta - ambos podem ter, afinal, consequências desastrosas.

Texto Henrik Ibsen
Tradução Gil Costa Santos e Ragnhild Marthine Bø
Direção: Miguel Maia e Filipe Abreu
Interpretação David Pereira Bastos, Filipe Abreu, José Neto, Mia Tomé, Miguel Sopas, Paula Fonseca, Paulo B., Rita Cabaço e Tomás Alves
Duração 105min | Classificação etária M/14