Cronologia
1865   Constituição da sociedade do Teatro da Trindade - Francisco Palha associa-se ao Duque de Palmela, o principal acionista, os irmãos Fortunato e Frederico Chamiço, Ribeiro da Cunha, Frederico Biester e outros.
Início da construção, com projeto de Miguel Evaristo de Lima Pinto.
 
1867 Empresário: Francisco Palha, dramaturgo.
Fevereiro - inauguração do Salão de Bailes.
30 de novembro - inauguração da sala principal.
 
1890 23 de janeiro - Reunião de imprensa perante a afronta do Ultimatum, presidindo o Marquês de Pomares, sendo oradores Cristóvão Aires, Brito Aranha, Avelino Monteiro, Magalhães Lima, Urbano de Castro. Empresário: Matoso da Câmara (o africanista e antigo deputado Matoso da Câmara é nomeado delegado e diretor técnico do Teatro, passando à gerência direta de uma sociedade de artistas).
 
1893 O Teatro é vendido a António Serrão Franco, passando a ser explorado por uma sociedade artística.
 
1894 A sociedade artística entrega a direção do Teatro ao empresário Sousa Bastos (dramaturgo, diretor e ensaiador, historiador do teatro).
 
1896 Empresa: Sousa Bastos e Taveira. Esta associação surge por dificuldades financeiras, e inicia-se uma tournée pelo Brasil. A empresa extingue-se em 1896, no fim da tournée.
 
1897 Constituição da empresa Sousa Bastos & Companhia. Será um dos períodos mais brilhantes da história do Teatro da Trindade.
 
1898 Em finais de 1898 Sousa Bastos organiza nova companhia e parte com ela para o Brasil ficando Afonso Taveira a dirigir o Trindade, nele apresentando a sua companhia.
 
1900 Sousa Bastos vende a empresa a José Ricardo e Domingos Gouveia.
 
1901 Empresário Afonso Taveira toma conta da empresa e da direção da companhia. Morrendo em 1916, é substituído pela sua mulher Teresa Taveira.
 
1908 Criação de uma companhia lírica inteiramente constituída por cantores portugueses.
 
1909 Falência financeira do projeto da companhia lírica.
 
1910 Devido ao estado da Nação, a companhia Taveira parte em tournée para o Brasil, fazendo-se substituir pela companhia Alves da Silva.
 
1913 Matinées-concerto de domingo pelo maestro José Henriques dos Santos; sessões de animatógrafo (com estreia de “Quo Vadis”).
 
1916 Entrada de Portugal na I Guerra, a crise e a epidemia pneumónica levam à crise financeira no Trindade, até 1919, data em que fecha para obras.
 
1919 Empresário: Augusto Pina.
 
1920 Empresário: António de Macedo - Sociedade Teatral, Lda.
 
1921 22 de janeiro. Venda do edifício à Anglo Portuguese Telephone Company. Serrão Franco vende o Teatro à companhia dos Telefones pelo preço de 350 contos. Início da demolição do Salão da Trindade. Transformação radical na parte do Salão e anexos.
18 de outubro - Leilão do recheio do Trindade, dirigido por Luís Nobre. A Anglo Portuguese Telephone Company verifica que não precisará do espaço do Teatro, mas apenas do espaço do Salão de Bailes e anexos, pelo que José Loureiro propõe a compra do Teatro da Trindade, o que é aceite.
 
1923 11 de abril - José Loureiro adquire à companhia dos Telefones a parte exclusivamente do Teatro. É lançada a primeira pedra para as obras de restauro do Teatro. Leopoldo de Almeida executa a maqueta para o frontão que encimará o proscenium “A Trindade”.
A 20 de dezembro é lançada a primeira pedra da companhia dos Telefones, com projeto de Touzet.
 
1924 6 de fevereiro - Abertura ao público do “2º Teatro da Trindade”
 
1925 Modificação (elevação) da fachada nascente contígua à nova “Central dos Telefones”, na Rua Nova da Trindade, então ainda em construção, com projeto de Touzet. Inauguração do edifício da companhia dos Telefones, anexo ao Trindade.
 
1938 Devido a frequentes crise financeiras, o empresário José Loureiro decide fechar a casa ao público. Para obter rendimentos e contra a crítica da imprensa e de outras pessoas do teatro instala um moderno equipamento de cinema dando início a pequenas temporadas de cinema. São feitas pequenas alterações na sala de espetáculos, para instalação de uma régie.
 
1940 António Ferro, então Secretário Nacional da Informação, Cultura e Turismo cumpre o seu sonho de criar uma companhia portuguesa de dança, o grupo dos “Bailados Portugueses Verde Gaio”, estreando a 7 de novembro de 1940. O objetivo era a apresentação de obras coreográficas de essência portuguesa, inspiradas em temas nacionais, partindo de uma estilização teatral das danças populares portuguesas ou de uma transposição plástica - rítmica e corporal - do espírito e do sentimento do povo português, estilização e transposição fortemente apoiadas na música portuguesa e na estilização dos trajes regionais.
 
1944 “Os Comediantes de Lisboa”, companhia residente até 1947, um dos mais brilhantes períodos do Trindade. Causaria uma revolução do teatro profissional. Dirigida pelo ator e encenador Francisco Ribeiro (o Ribeirinho) em parceria com o seu irmão realizador de cinema António Lopes Ribeiro.
 
  Nos primeiros anos da década de 50 passaram a decorrer no Trindade os “Concursos de Arte Dramática” organizados pela FNAT e pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo.
 
1955
a
1956
O Trindade recebe o “Teatro d’Arte de Lisboa” dirigido por Orlando Vitorino com assessoria de Azinhal Abelho, um repertório de qualidade excecional.
 
1957
a
1960p
“Teatro Nacional Popular”, de Ribeirinho - companhia itinerante criada a partir do “Teatro do Povo”, subsidiada pelo SNI e constituída, na sua maioria, por jovens atores saídos da Escola de Teatro do Conservatório Nacional. Estreia com produção de elevado nível, a “Noite de Reis”, de Shakespeare, com Eunice Muñoz e Isabel de Castro.
 
1962 Devido ao cada vez maior afastamento do público dos teatros e casas de espetáculo da zona do Chiado, os herdeiros de José Loureiro, proprietário do Trindade, decidem vender, pela quantia de 8000 contos, o edifício à FNAT, que respeitou os compromissos assumidos pela anterior Direção.
 
1962
a
1967
“Companhia Nacional de Teatro”, de Ribeirinho dirigida pelo poeta, encenador e ator António Manuel Couto Viana. Boa qualidade das obras representadas no que se refere a textos clássicos.
 
1966 “Companhia Portuguesa de Ópera” foi criada pelo Dr. José Serra Formigal, Vice-Presidente da FNAT, em finais de 1966. O objetivo era criar condições de estabilidade profissional e artística aos cantores líricos portugueses, formar novos cantores e proporcionar ao grande público e à classe média espetáculos de ópera e opereta a preços módicos. Esta seria extinta compulsivamente pela própria FNAT, em 1975. O “Centro de Preparação de Artistas Líricos” é criado e mantido pela FNAT, com os professores-ensaiadores Gino Bechi (barítono italiano) e Tomás Alcaide (tenor português), que funcionava como um verdadeiro centro e escola nacional de formação e preparação de cantores líricos portugueses.
 
1967 Após obras de remodelação e decoração, o Teatro torna-se numa casa de espetáculos destinados ao grande público, sendo sede da “Companhia Portuguesa de Ópera”. A decoração, da autoria de Maria José Salavisa, foi um “lavar de rosto”, tendo o Teatro recebido então o equipamento técnico mínimo. A decoração escolhida, em azul, substituiu o vermelho que o Teatro mantinha desde a sua fundação.
 
1970 “Companhia Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro”, até 1974. Após o incêndio do Teatro Nacional D. Maria II, esta companhia esteve temporariamente noutros teatros, passando a ficar no Trindade no decorrer deste período, correspondente o mesmo à fase final da sua vida.
 
1975 A FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho) passa, em 1975, a designar-se por INATEL.
 
1975
a
1980
A partir de 1975 voltam ao Trindade o teatro declamado (profissional e de amadores), a música, a ópera, a opereta, a dança, o ballet, o folclore, as exposições de arte, conferências e outras atividades.
 
1980
a
1989
Atividade maior e mais diversificada. Concertos de Bandas e Coro, Concertos Corais, Recitais de Poesia, Concertos de Jazz, Dança e Ballet, Folclore, Variedades, Ginástica, Mímica, marionetes, etc. O INATEL cede o seu Teatro, de uma maneira geral com encargos meramente simbólicos, a companhias diversas.
 
1989
a
1993
O Trindade é dotado com um quadro estável de pessoal, nomeando-se um Diretor e um Secretário.
 
1991 Obras de renovação, restauro e equipamento: exterior, telhado, átrio, sala de espetáculos, foyer, estúdio, palco e sub-palco, camarins, lavabos, bar, armazéns, oficinas, dependências reservadas ao pessoal. Palco totalmente remodelado e equipado de acordo com os mais modernos recursos técnicos. Camarins e zonas de serviço renovados e apetrechados. Átrio, foyer e sala de espectáculos são devidamente recuperados. O Estúdio de ensaios foi transformado, equipado e apetrechado para espetáculos experimentalistas e de novas estéticas. O Bar foi profundamente remodelado e ampliado. Instalações de luz, som e águas foram totalmente refeitas. Criaram-se novas dependências para os serviços administrativos e para serviço e utilização do pessoal.
 
1992 O Bar do Teatro passa a ter uma utilização teatral, dando mais tarde origem ao Teatro-Bar. Inauguração da nova Sala-Estúdio para apresentação de peças de cariz experimental.
 
1997
a
1999
O Teatro enceta um trabalho de produção própria, com “Cyrano” e faz também digressões. As produções próprias, as co-produções e as parcerias passam a ser uma realidade, modificando a estrutura baseada quase exclusivamente no acolhimento. Realizam-se também importantes acontecimentos na área da formação e relação com as escolas (Escola do Espetador e os Encontros de Teatro, Formação e Lazer), com apoios do Ministério da Educação para a programação das matemáticas (peças dedicadas aos conteúdos escolares do ensino da matemática).
 
1999
a
2005
Em 1999, uma adaptação inspirada leva-nos ao universo de Saramago, com a peça “Memorial do Convento”. O Projeto Teatro e Ciência teve início no ano 2000, com a peça “1862 - Uma noite mágica”, e prolongou-se até 2005 com diversos espetáculos, incluindo “Proof” (2002); “O Último Tango de Fermat” (2003); “Picasso e Einstein” (2004), e terminou com o espetáculo “Os Sonhos de Einstein” (2005).
Neste período, a Ópera regressa ao Trindade com as seguintes récitas: “Nefertiti” e “As bodas de Fígaro” em 2000; “A Casinha de Chocolate”, Ópera para a infância, em 2003; e “Os Fugitivos” em 2004, com libreto original da autoria de Rui Zink. Os anos 60 foram marcados pela revolta estudantil, e o carácter interventivo do Teatro deu a conhecer aos mais jovens a crise de 1969, através de dois espetáculos “O Magnífico Reitor” em 2001 (que mostra o ponto de vista dos professores), e “O Navio dos Rebeldes” em 2002 (revela o ponto de vista dos estudantes). Este último espetáculo foi um sucesso em digressão, esgotando o Coliseu do Porto e a Aula Magna em Lisboa.
 
2003 “Viriato” foi a segunda peça de Freitas do Amaral levada à cena no Teatro da Trindade, em 2003, onde o político e dramaturgo reescreve a História de Portugal.
 
2004
a
2006
O espetáculo “Fungágá” foi um grande sucesso de bilheteira, estando em cena de 2004 a 2006. Este musical para a infância, agradou gerações de pais e filhos, avós e netos, ao relembrar velhas canções.
 
2006
a
2008
Este período iniciou-se com a peça “1755 - O Grande Terramoto”, que representou Lisboa antes e depois da grande catástrofe. Seguiu-se a reposição da Ópera “Bodas de Fígaro”. As peças “Macbeth” de Shakespeare e “A Desobediência”, uma peça sobre Aristides de Sousa Mendes, marcaram o ano de 2007.
 
2008 O ano de 2008 contou com o espetáculo “O Dia das Mentiras”, um texto de Rui Mendes a partir de duas obras de Almeida Garrett. Como forma de celebrar o Dia Mundial do Teatro, a peça foi transmitida em directo em pleno horário nobre da RTP, uma iniciativa inédita que conferiu grande visibilidade ao Teatro da Trindade.
 
2009 Estreia da peça “Os Maias no Trindade” uma adaptação do dramaturgo António Torrado a partir de “Os Maias” de Eça de Queiroz. Estrondoso êxito de bilheteira com mais de 90% das sessões esgotadas. No mesmo ano, “Máquina de Somar” com encenação de Fernanda Lapa reabriu o Trindade após obras de renovação e valeu a Henrique Feist o prémio de SPA para o melhor actor do ano de 2009.
 
2010 “Não se Ganha, não se paga” iniciou o ano, uma genial comédia política de Dario Fo encenado por Maria Emília Correia. Seguiu-se a ópera Buffa a partir de um texto António José da Silva (O Judeu), encenada por João Brites galardoada com o prémio SPA para o melhor espectáculo de teatro desse ano em Portugal. Outra grande marca de 2010 foi a adaptação para teatro do romance de Lídia Jorge “O dia dos Prodígios”, um fresco de um certo Portugal encenado por Cucha Carvalheiro.
 
2011 Um ano em que imperaram co-produções que permitiram levar à cena grandes textos e encenadores como “A Fala da Criada” encenada por Jorge Silva Melo, “Otelo” de Shakespeare ou a “Mãe” de Brecht encenada por Joaquim Benite. Em 2011 apresentaram-se também “Vale” uma criação de Madalena Vitorino que recebeu o Prémio Autores 2010 para a melhor coreografia, “Casamento em Jogo” de Albee, uma produção de sucesso do Trindade encenada por Graça P. Corrêa. O ano terminou com “Sangue Jovem” encenado por Beatriz Batarda e com “Do Alto da Ponte” um clássico de Arthur Miller encenado por Gonçalo Amorim.
 
2012 Destaque absoluto para “O Libertino” de Eric Emmanuel-Schimtt, encenado por José Fonseca e Costa, o grande êxito do ano em Portugal, visto por milhares de espetadores teve praticamente todas as sessões esgotadas, efetuando uma digressão por todo o país.
 
2013 Após um ano encerrado para profundas obras de reabilitação, o Trindade reabre esgotado com “Esta Vida é Uma Cantiga”, de Henrique Feist e Vítor Pavão dos Santos, uma celebração da música do teatro de revista, através de cantigas que se foram buscar aos mais de 150 anos que o género teatral teve de vida em Portugal.