Reservado
2 a 25 fevereiro . M12
quarta a sábado - 19:00

Espetáculo poético num ato só, um tributo à poesia, aos poetas, à língua portuguesa e aos seus já oito séculos de existência, gira em torno de um encontro de amigos que decidindo celebrar o seu gosto pela poesia, resolvem reunir-se num ambiente selecionado para essa especial ocasião, numa atmosfera de harmonia, de glamour e de boa disposição. Tem por base a colagem de textos poéticos de diversos autores e épocas que vão desde a poesia trovadoresca até à contemporaneidade.

Num local propositadamente reservado para o efeito irá ter lugar um peculiar encontro entre quatro pessoas que estabeleceram a poesia como única forma possível de comunicação. Tal facto determina por si só que o vulgar ceda lugar ao extraordinário. Há que tornar este encontro memorável conferindo-lhe certas qualidades, revestindo-o de simbolismo para que ganhe significado. O dia finda, e é ainda o bulício e a agitação da vida quotidiana que todos trazem vestidos como uma segunda pele, mas, brandamente, com o aproximar da noite, um outro ritmo mais convida­tivo e envolvente vai-se instalando e alterando de forma subtil a atmosfera. A mesa vai sendo aprontada, delicadas iguarias poéticas vão sendo servidas, o vinho vai correndo num ambiente de jovialidade e de boa disposição e mesmo os pequenos contratempos, como o quadro elétrico que vai abaixo, se convertem em motivo de diversão.  Mas nem sempre o caminho é reto, e o que planeamos se cumpre. O telefonema do último conviva comunicando que não poderá comparecer, causa consternação e o desânimo instala-se parecendo condenar este encontro ao insucesso. E, no instante em que a dúvida se abate sobre eles, nesse instante, em que o tempo parece suspenso, torna-se claro prosseguir reinventando outros sentidos e propósitos, num salto de fé do qual saem mais unidos, enriquecidos, clarificados. Tudo, enfim fica pronto, é a hora de iniciar este ritual e por último partilhar com o público este processo alquímico de caracter celebrativo e Reservado…

Tão forte como o nosso próprio nome é esta identidade que a Língua nos dá e que nos diferencia e identifica como povo portador de uma determinada cultura. A Língua é o instrumento privilegiado de um povo na sua interação com o mundo, é colada a nós como uma segunda pele e flexível vai acompanhando a permanente mutação do mundo, renovando-se e enriquecendo-nos. Hoje somos mais de 200 milhões de falantes da Língua Portuguesa e é este capital cultural comum que, nos propomos homenagear no nosso espetáculo Reservado. Fazemo-lo através das vozes poderosas dos poetas que com o seu génio, inteireza e audácia têm vindo a ser ao longo dos tempos grandes impulsionadores do crescimento e enriquecimento da Língua Portuguesa. Reservado é um espetáculo que se ergue em torno de uma espiral de linguagem poética. São os poemas com a sua vida própria que num impulso nos conduzem, de lugar em lugar, libertos de toda e qualquer lógica que os aprume. Reservado é uma colagem de textos poéticos de diversos autores que, se vão sucedendo sem preocupações cronológicas, numa lógica somente da cena e do espetáculo, com toda a liberdade que estes poetas nos pedem, numa reinvenção do sentido que cada poema nos traz. Interessa-nos a plasticidade das imagens, o jogo das palavras, o nível sonoro, rítmico e a vocalidade da nossa Língua.

Foi condição, em Reservado, a escolha de poetas portugueses apenas. Poetas que, no seu canto e na sua maneira particular de sentir, falem das circunstâncias que determinam aquilo que pensamos, que sentimos e que somos como povo, que cantem as nossas paisagens, as nossas cidades, o nosso sol, poetas-espelho da nossa matriz cultural. Assim, para este espetáculo convocamos os poetas, para que se sirvam do nosso corpo e connosco se instalem à volta de uma mesa, bem acompanhados do espírito e da essência dionisíacos enquanto paulatinamente vamos discorrendo sobre, o drama humano da existência, e em particular sobre a própria poesia. Reservado assenta em registos bastante diversos mais ou menos ligeiros e humorísticos, que visam criar uma harmonia entre os textos escolhidos gerando uma sensação de bem-estar nos intérpretes e no público.
Leonor Alcácer
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A partir de colagens de: Almada Negreiros, António Gedeão, Cesário Verde, David Mourão Ferreira, Dom Dinis, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, José Régio, José Paulo Sodré, Luís Vaz de Camões, Mário Cesariny, Mendes de Carvalho, Natércia Freire e Paula 4Cês
Encenação: Leonor Alcácer
Direção de Atores: Cecília Sousa
Atores: Helena Laureano, João Ferrador e Leonor Alcácer
Música: Madalena Manzoni Palmeirim
Sonoplastia: Herberto Magalhães
Desenho de Luz: Luis Viegas
Design: Lottie Amodini
Produção: Leonoralcacerproduções